Rückblick – Ayrton als Retter in der Not

Veröffentlicht: 15 August 2007 in Uncategorized

Mario Bauer - 1982 Depois do teste de Snetterton (veja batendo rodas com Ayrton) esperava ansiosamente a etapa do campeonato Europeu da Fórmula Ford 2000 a ser disputada como prova preliminar do Grande Prêmio de Fórmula 1 da Alemanha de 1982. A expectativa era enorme, encarava como uma prova decisiva para a minha carreira e estava cheio de vontade de mostrar serviço.

A minha primeira vitória tinha conquistado na temporada anterior, disputando o título na Formula Ford 1600, no trajeto longo de Hockenheim com a lendária Ostkurve pé em baixo aos 230 Km/h. Em 1982 montaram uma chicane ridícula, que no GP iria protagonizar o Piquet e o Salazar, pois era fácil você errar ali e ficar sem espaço pra consertar. Como tinha aquelas retas eternas, andava-se com pouquíssima asa para mais velocidade máxima, mesmo comprometendo o desempenho na parte do miolo.

Mario Bauer - campeão alemão de Fórmula Ford 1600

Na sexta-feira reclamava do carro que sentia faltar desempenho nas retas, parecia chocho, mal conseguia sair do vácuo dos outros. Na hora a equipe não achava nada de incomum e o treino terminou péssimo. Fui parar em 12º, a minha pior colocação da minha carreira. Mandei desmontar o câmbio e verificar toda a periferia do motor, algo estava amarrando o desempenho do carro e precisávamos resolver isto para a segunda classificação do dia seguinte.

Sábado de manhã não acreditava no que via: Chuva! Um céu escuro, carregado de nuvens despencando água em cima de Hockenheim sem parar. Fui de mau humor para a pista porque sabia que assim ficaria pregado ali na 12º posição de largada. A chance de vencer daquela posição era remota. Pelo menos a equipe disse que encontrou um rolamento danificado no câmbio que isto pode ter provocado o problema.

Pensei: Se eu chutar o acerto tenho 50% de chance (ou mais) de me ferrar. No meu ponto de vista era a mesma margem de risco de pedir o acerto ao conterrâneo Ayrton Senna da Silva, que mais kilometros de testes rodou em Van Diemens e que sabia de tudo sobre o chassi em questão. Só lembrando: apesar dos modos brutos na pista, não deixamos de nos entender. Ainda lá em Snetterton assistimos juntos o Chico Serra, amigão dele, testar a Fittipaldi F-08 e o Roberto Moreno fazer um shake-down com a JPS-Lotus 87B.

ayrton-senna-da-silva-1982.jpg

“Ayrton, me ajuda, que faço com o acerto nesse dilúvio?” Parece ingênuo, mas acreditava que ele seria um cara de espírito de esportista e responderia com sinceridade. E não me decepcionei com ele. O Ayrton logo me forneceu os dados do acerto das barras estabilizadores, ângulos dos aerofólios, pressão dos pneus, o que dava pra acertar em curto prazo. Não me parecia nada louco, parecia coerente, embora muito focado em aderência mais pra frente do carro. Aliás, um estilo que preferia.

Lá estávamos alinhados atrás dos boxes, esperando a Fórmula 1 terminarem o treino para entrarmos em cena. Menos o Ayrton que não pretendia ir pra pista, já que tinha marcado a pole com o seu tempo da sexta-feira. Todo o resto iria entrar na pista para acertar seus carros para uma eventual corrida em piso molhado. E a chuva não dava trégua. Quando o barulho dos motores da F1 cessou, alguns ligaram os motores para já aquecer o óleo, mas demorava muito para liberar a gente.

Meu chefe de equipe apareceu e disse pra desligar o motor, estavam recolhendo um carro acidentado e iria demorar. Nisto meu pai se aproximou visivelmente preocupado. Ele nunca me dizia o que fazer na pista, agora ele me lembrou que não conseguiria melhorar o meu tempo, que tomasse muito cuidado e que me limitasse a acertar o carro, nada de querer marcar tempos de ponta. O que ele não me contou: A visibilidade estava péssima e Didier Pironi sofreu um acidente muito sério devido a isto.

didier-pironi-hockenheim-1982.jpg
Quando finalmente soltaram esse bando de moleques malucos, sem que jamais alguém da direção de prova viesse nos alertar sobre o que estava acontecendo lá nos fundos da pista, a sensação foi muito desagradável. Eu gosto de pilotar na chuva, acho o máximo andar no estreitíssimo limite de aderência. Mas zero visibilidade? Era absolutamente louco.

As florestas que rodeavam as longas retas não permitiam nenhum fluxo de ar, a água dispersada pelos pneus levantava como neblina e fica parado ali no ar feito uma densa cortina. Não se enxergava nada, só se ouvia o carro pela frente e, olhando para os lados, procurava-se orientar de alguma forma para ficar no asfalto. E quando você enxergava a lanterna do carro da frente, era porque estava quase encostando no câmbio. Era loucura. Para os pilotos de Formula 1 era pior? Não, porque a visibilidade era praticamente zero. E seu eu batesse na roda do carro da frente aos 250 Km/h, o efeito seria o mesmo de o Pironi bater com a Ferrari aos 290 Km/h, sair voando e o carro despedaçar.

A notícia boa era que o acerto do Ayrton era tão perfeito, que sequer entrei nos boxes para modificar algo, caiu como uma luva e, apesar de obedecer ao meu pai e tomar os cuidados de não aproveitar nenhum vácuo, acabei marcando o terceiro melhor tempo. Em nível de Europeu era bem o que esperava de mim mesmo. Porém, não fazia idéia que o problema do dia anterior tinha voltado, mas não se manifestou de forma notável devido à situação tensa deste treino em condições perigosíssimas. Com um carro perfeito teria marcado a melhor volta do dia.

Mario Bauer, Van Diemen FF2000, Hockenheim 1982
Voltando aos boxes fui procurado pelo Ayrton que queria saber o que achava do acerto. Agradeci a ele pela sinceridade e elogiei bastante o acerto que estava perfeito para o meu estilo de pilotagem. Acabou ali? Estava enganado. Seguiu um “interrogatório” por parte do Ayrton, queria extrair o máximo de informações em troca da „mãozinha“ que me concedeu compartilhando o seu acerto comigo. E me senti na obrigação de responder. E que sufoco foi!

A quantia de informação que ele solicitava era espantosa. Queria saber com qual rpm chegava à primeira chicane, se o asfalto por lá ainda estava escorregadio com o piso molhado, se o carro ali tracionava bem, veio a falar das zebras daquela chicane mal-feita na Ostkurve, quis saber se a traseira ficava no chão, se aquela ondulação na entrada e saída da 2ª chicane desalinhava o carro na frenagem e depois na reaceleração, se a entrada no Motodrom era neutra ou saía de traseira na entrada da curva, se fazia em quarta ou terceira? Era uma cascata de perguntas que, sinceramente, tive que me esforçar para lembrar os detalhes.

Ali percebi uma coisa importante: enquanto todos nos outros pilotos procurávamos um bom acerto, o Ayrton já trabalhava para melhorar o que era um ótimo acerto. Ele refletia muito mais, notava mínimos detalhes do comportamento do carro, era detalhista com o seu equipamento, enquanto a vasta maioria da molequada tinha a atitude “o acerto tá bom, o resto tiro no braço”. Algo importante que aprendi naquela hora e que mostrou que teria que me aprofundar bem mais nos detalhes técnicos para brigar ao mesmo nível.

Ayrton Senna, Van Diemen FF2000, Hockenheim 1982
A corrida aconteceu no seco, na freada da primeira chicane passei seis carros, quando na minha esquerda vi um carro branco passar voando meio metro do chão, foi uma confusão geral que tirou vários carros, mas consegui sair ileso. O diretor de prova estava “p” da vida porque arrumar essa bagunça e livrar a pista dos destroços começou a atrapalhar a programação do evento. Fomos proibidos de ultrapassar antes da primeira Chicane! Imagine isto. Na relargada consegui novamente passar alguns carros, mas tive que me alinhar atrás de colegas, que freavam com pé de moça para a primeira chicane.

O Ayrton já estava indo embora lá na frente, seguido do Calvin Fish, e eu lá atrás totalmente frustrado. Brigava com o Hendrik Larsen e o Kris Nissen quando senti que o carro começou a ficar cada vez mais lento, os rpm despencavam, mas a pressão de óleo, temperatura e até o ronco estava normal.

Senna acaba vencendo a corrida e o campeonato
Foi muito frustrante, todos os concorrentes que tinha passado no braço agora me passavam na boa na reta, não tinha o que fazer. Foi o madito diferencial novamente entregando as pontas. Assim terminei a prova em um frustrante 13º lugar. Ayrton venceu tranquilamente e continuou a sua trajetória rumo ao titulo e à Fórmula 3.

Na época não tinha como ver que isto um dia seria uma bela lembrança, fiquei muito desapontando, aquela corrida deveria definir a minha carreira rumo Inglaterra, mas não consegui demonstrar muita coisa e acabei continuando a correr na Alemanha. Mas me serviu o exemplo do Ayrton, dali pra frente me destaquei, mesmo com material precário, de sempre conseguir uma solução de acerto mais elaborada para os meus carros.

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Leia também: Batendo rodas com Ayrton sem perder a amizade.

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Kommentare
  1. grandprixinsider sagt:

    Dieser Artikel wurde in deutscher Sprache in der Vorab-Ausgabe von P1Magazin veröffentlicht.

    Besuchen Sie hierzu bitte http://www.p1mag.de

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