Rückblick – Lacktausch mit Ayrton

Veröffentlicht: 14 August 2007 in Uncategorized

Mario Bauer O tempo voa, mal você olha pro outro lado pra cuidar da tua vida, já se passaram 25 anos. De piloto cheio de esperanças e ambições me tornei em garotão quarentão com um belo currículo no automobilismo. Infelizmente sem a parte da realização dentro do cockpit. Mas aproveitando a deixa, fui dar uma vasculhada nas minhas recordações e fotos deste mês de agosto de 1982. E até que deu pro prejuízo.

Era um verão europeu inesperadamente quente, este de 1982. Cheguei à pista inglesa de Snetterton pela primeira vez no início de agosto acompanhado do meu pai. A idéia era ver se consigo uma vaga na equipe de fábrica da Van Diemen, situada no outro lado da rua. Eu tinha começado a temporada com uma Reynard FF1600 no Campeonato Internacional da Alemanha, mas o carro ainda era muito novo, tinha um acerto muito duro e ainda estava cheio de defeitinhos. Não conseguiria vencer o campeonato com aquilo contra o Volker Weidler em sua Van Diemen semi-oficial. Então fui para Snetterton, ver se consigo vaga na Rushen Green Racing.

Ali corria um paulista de nome Ayrton Senna da Silva, que já tinha cumprimentado dois meses atrás em uma etapa do Campeonato Europeu em Hockenheim, e um norte-americano, que era modelo profissional e se divertia um pouco ali. E o terceiro carro tinha sido abandonado pelo piloto inglês que o pilotava até então sem muito sucesso. Como recomendação trazia o título de campeão da Fórmula Ford 1600 alemã, onde conquistei o primeiro e único titulo para a grande rival da Van Diemen, pilotando uma RP29 da marca Royale de Alan Cornock, projetado por um tal de Pat Symonds, hoje diretor técnico da Renault na F1.

Testei e não gostei: Van Diemen RF82 FF1600

Além disto, tinha testado um modelo RF82 de FF1600 antes da temporada e marcado o melhor tempo entre os alemães ali presentes para testar este mais novo lançamento da Van Diemen, mas depois optando pelo novo e inovador projeto de Adrian Reynard, acreditava que a Van Diemen teria interesse de me finalmente colocar em um dos seus carros de F2000 para que parasse de atrapalhar as vendas deles na Alemanha. O Ralph Firman, dono da empresa, nos recebeu muito bem e sugeriu que providenciasse um carro de outra equipe para um teste, já que atualmente a Rushen Green só tinha dois carros disponíveis no momento.

Ele contatou um cliente, o Ken Thorogood, que no próximo dia apareceu com uma estrutura muito simples, mas o carro estava impecável. Seria não só a minha primeira visita a Snetterton, igualmente experimentaria pela primeira vez a sensação de andar de pneus slick, já que a FF1600 só tinha aqueles pneus radiais fininhos, e dotado com aerofólios. O desafio seria mudar o estilo de pilotagem radical e sempre “sideways” dos modos do FF1600 para uma trajetória mais disciplinada com o FF2000, já que os slicks não perdoavam derrapagens e a sustentação aerodinâmica também diminui assim que o fluxo do ar não viesse estritamente de frente.

O motor tinha 30-40 HP a mais, então já gostei da aceleração melhor, a aderência nas curvas de alta era, perante o que estava acostumado, maravilhosa. Só precisei de um tempo pra me acostumar ao uso apropriado dos slicks nas curvas de baixa, onde os aerofólios não ajudavam e o limite de aderência tinha que ser respeitado cuidadosamente pra não perder velocidade na entrada da curva. Era um dia ensolarado, como sempre forcei logo para conhecer e acho que dei um susto ao meu pai, quando exagerei um pouco nos esses antes dos boxes, que depois de uma longa curva só precisavam.

mario-bauer-van-diemen-rf-82-ff2000.jpg

Nisto aparece na pista a Rushen Green, põe na pista o “da Silva”, como todo mundo o chamava por lá. Eu já notado antes que ele andava me observando à beira da pista, alguém da Van Diemen deve ter dado um toque que poderia ser o novo companheiro de equipe dele. Em certo momento estava descendo a reta oposta quando vi a Van Diemen amarelo-preta dele, lentamente, me aguardando. Tive certeza que estava me esperando pra brincar quando ele acelerou com tudo pra ficar na frente.

Fizemos algumas voltas assim, pra ele era o trajeto de casa, eu ainda estava pegando o jeito, tanto com a pista como com o carro. Mas depois de algumas voltas seguindo o Ayrton, pensei a mim mesmo que não vi nada de impressionante, e que já tava de dar deixar a minha marca registrada. Na reta oposta peguei o vácuo e chegando ao final da reta tirei pra passar. E que seguia era um “S” bem travado, chegando aos 230 Km/h pedia uma freada forte. Fiquei olhando pra carro a minha direita pensando “você freia primeiro, você freia primeiro”. Nisto o vejo olhando, por meio do retrovisor, olhando bem nos meus olhos, nem pra frente olhava, e começou a fechar pra dentro.

Como o “S” iniciava com uma curva travada à esquerda, estava por dentro, mas assim, sem muito espaço pra entrar, seria forçado a frear antes. O que não fiz. Quer encrenca, vai ter. Ele continuava me olhando pelo retrovisor. Queria saber, o que ele pensou quando viu que não ia desistir. Chegou à curva, freamos nos últimos, quase bloqueando as rodas, continuávamos lado a lado, nenhum dos dois cedeu espaço. Joguei pra esquerda, passei por cima da zebra, Ayrton também virou pra entrar, trocamos pintura das laterais, deixando um belo estampado de borracha um no carro do outro. Mas como era eu que estava com um ângulo muito desvantajoso e o carro desequilibrado pela pancada da zebra, o meu RF82 saiu de lado, perdi velocidade e o Ayrton se mandou. Ele passando nos boxes bem na minha frente era o tipo de demonstração que ele queria dar, tipo, “to em casa, se ajeita aí no teu lugar.”

ayrton-senna-da-silva.jpg

Já que era um dia de testes tranqüilo, só com nós dois na pista, mas um ou dois FF1600 e um ou outro carro de turismo. Não houve documento fotográfico deste „pega“, que no momento não representava nade de especial para mim. E tenho certeza que não foi grande coisa para o Ayrton também. Afinal eu fazia este tipo de coisa com a alemãozada, impondo respeito e demonstrando quem é o rei do pedaço. E bem que estava no aguardo de algo assim. E também deu pra ver que o Firman estava lá, observando na curva um. Sem muita surpresa o chefão deu uma desculpa qualquer o porque a Rushen Green não tinha um segundo carro, embora o Dennis Rushen estava cheio de elogios e me queria muito na época. Senti que quem me vetou com sucesso foi o próprio Ayrton.

O Ayrton deve ter lembrado o Firman da dor de cabeça do ano anterior, quando ele, o Enrique Mansilla e o Alfonso Toledano até se tiraram da pista de tão intensa a competição. E o Firman precisava dos títulos na FF2000 pra vender um caro que não tinha ainda grande reputação nessa categoria. Não culpo o Ayrton, eu e qualquer outro de juízo teria feito a mesma coisa. Ou vai querer permitir uma dor de cabeça na equipe onde até agora você é a estrela, a número um? Claro que não. Assim sendo fechamos um acordo com o Ken, que apesar de ter poucos recursos, deixou uma boa impressão. E no fundo cheguei a pensar: “Não faz mal. Hockenheim é a minha casa. E como fica se eu derrotar o piloto de fábrica com uma equipe anã…?”

Já tinha feito isso na Alemanha, a Royale e o preparador Gätmo só começaram a vender pra valer depois que conquistei o título com essa combinação. Era esse o espírito da coisa, nenhum de nós rapazes deixava se impressionar pelo outro. O cara andava bem, então você ia pra pista pra medir forças. O Ayrton conseguiu se impor naquele dia, eu via isto como uma batalha perdida, a “guerra” ainda estava em pleno andamento. Uma semana depois em Hockenheim as coisas iam esquentar.

Achou a matéria interessante? Gostou do blog?
Grand Prix Insider foi indicado para o Prêmio “Blogger’s Choice Awards” na categoria “Foreign Languages”. Posso contar com o seu voto também? Pra fazer uma “forçinha” clique aqui. Obrigado!

Leia também: A “mãozinha” do Ayrton em estréia complicada.

Advertisements

Kommentar verfassen

Trage deine Daten unten ein oder klicke ein Icon um dich einzuloggen:

WordPress.com-Logo

Du kommentierst mit Deinem WordPress.com-Konto. Abmelden / Ändern )

Twitter-Bild

Du kommentierst mit Deinem Twitter-Konto. Abmelden / Ändern )

Facebook-Foto

Du kommentierst mit Deinem Facebook-Konto. Abmelden / Ändern )

Google+ Foto

Du kommentierst mit Deinem Google+-Konto. Abmelden / Ändern )

Verbinde mit %s