Spykers hundertjähriges

Veröffentlicht: 10 August 2007 in Uncategorized

charles-godard-jean-du-tallis-spyker-peking-paris-1907.jpg „Tem alguém aí querendo viajar de charrete de Uruguaiana a Brasília?“ Mais ou menos assim foi dada a idéia inicial para a primeira competição de endurance automobilística pelo jornal francês „Le Matin“ em janeiro de 1907. Só que a viagem ia começar em Beijing e percorrer um trajeto de 16.000 kilometros até Paris. E procurando demonstrar aos críticos a superioridade do carro perante o cavalo, obviamente não ia ser de charrete.

„Uebaaa“, ou algo assim, certos onze aventureiros responderam e se alinharam na manhã do 10 de junho de 1907 em Beijing a bordo de seus cinco veículos. Entre eles o artista de circo Charles Godard, que costumava causar espantos com peripécias que fazia com a sua moto em um globo da morte.

Já a profissão do francês sugeria que seria um cara meio louco, meio destemido e dotado com uma lábia fascinante. Descolou um carro do quase falido holandês Jacob Spijker, fabricante de luxuosos veículos na época e marca precursora dos supercarros Spyker, e ainda o convenceu a pagar a taxa de adesão. Chegou a Beijing na base de favores e partiu adotando em ultima hora um pequeno cãozinho, que batizou de Pekine. Para dar mais espaço a Pekine preferiu deixar algumas peças de reposição pra trás.

Spyker Beijing-Paris 1907spyker-c8-spyder-gt2.jpg

Godard picareteava-se pelo trajeto sob falsos pretextos descolando dinheiro e serviços de diplomatas holandeses, franceses e alemães onde pode. Mas nem sempre achou tal assistência sofisticada. Foi parar sem gasolina, e obviamente sem recursos, em um vilarejo. Tão grande foi o desespero que quando ele finalmente conseguiu achar algum ilustre do local para bancar o tanque ser completado, acabou esquecendo da coitada da Pekine.

Quase morreu de sede no deserto de Gobi porque se recusou a abrir mão das 24 garrafas de Moët & Chandon que ganhou. Chique até o ultimo. Quase teve que abandonar a corrida porque o carro estava quebrando e não tinha peças. Spijker deu um jeito de enviar as peças ao encontro de seu piloto na próxima parada prevista pela dupla de viajantes destemidos.

Seu companheiro de viagem, o jornalista Jean du Tallis, também não passou bons momentos. Além do desgaste da viagem, presenciou várias ocasiões onde foram detidos pela policia e du Tallis teve que desembolsar a caução para tirar Godard, obviamente procurado pelas picaretagens e caloteirices que aprontava (será que tinha raizes brasileiras…?) do xadrez e poder continuar na corrida.

O vencedor chegando na sede do “Le Metin”

O vencedor, para o desapontamento dos franceses o príncipe italiano Scipione Borghese em seu Itala, chegou 62 dias depois em frente à sede da editora do „Le Matin“, apesar de ter desviado uns 1.500km ao norte da rota para atender um baile em São Petersburgo, na Rússia. Na verdade somente o vencedor encerrou a prova há exatos 100 anos. As duas favoritíssimas de Dion Boutons, pelo menos na preferência patriótica dos franceses, só chegaram a Paris no dia 30 de agosto 1907. E Godard também, o que é mais notável ainda, considerando o „budget“ praticamente inexistente com o qual o primeiro piloto de fábrica da Spyker encarou a corrida…

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